Déclaration de Toulon

Déclaration de Toulon *
PROCLAMÉE le 29 mars 2019 – TOULON - FRANCE

Version Française

(Issue de la trilogie des colloques sur la personnalité juridique de l’animal, la Déclaration de Toulon est conçue comme une réponse par des universitaires juristes à la Déclaration du Cambridge du 7 juillet 2012).

PRÉAMBULE

Nous, universitaires juristes, participant à la trilogie de colloques organisés au sein de l’Université de Toulon sur le thème de la personnalité juridique de l’animal.

Considérant les travaux réalisés dans d’autres champs disciplinaires notamment par les chercheurs en neurosciences.

Ayant pris connaissance de la Déclaration de Cambridge du 7 juillet 2012 par laquelle ces chercheurs sont parvenus à la conclusion que « les humains ne sont pas les seuls à posséder les substrats neurologiques de la conscience », ceux-ci étant partagés avec les « animaux non-humains ».

Regrettant que le droit ne se soit pas saisi de ces avancées pour faire évoluer en profondeur l’ensemble des corpus juridiques relatifs aux animaux.

Notant que dans la plupart des systèmes juridiques, les animaux sont encore considérés comme des choses et sont dépourvus de la personnalité juridique, seule à même de leur conférer les droits qu’ils méritent en leur qualité d’êtres vivants.

Estimant qu’aujourd’hui, le droit ne peut plus ignorer l’avancée des sciences pouvant améliorer la prise en considération des animaux, connaissances jusqu’ici largement sous-utilisées.

Considérant enfin que l’incohérence actuelle des systèmes juridiques nationaux et internationaux ne peut supporter l’inaction et qu’il importe d’initier des changements afin que soient prises en compte la sensibilité et l’intelligence des animaux non-humains.

**

Déclarons,

Que les animaux doivent être considérés de manière universelle comme des personnes et non des choses.

Qu’il est urgent de mettre définitivement fin au règne de la réification.

Que les connaissances actuelles imposent un nouveau regard juridique sur l’animal.

Qu’en conséquence, la qualité de personne, au sens juridique, doit être reconnue aux animaux.

Qu’ainsi, par-delà les obligations imposées aux personnes humaines, des droits propres seront reconnus aux animaux, autorisant la prise en compte de leurs intérêts.

Que les animaux doivent être considérés comme des personnes physiques non-humaines.

Que les droits des personnes physiques non-humaines seront différents des droits des personnes physiques humaines.

Que la reconnaissance de la personnalité juridique à l’animal se présente comme une étape indispensable à la cohérence des systèmes de droit.

Que cette dynamique s’inscrit dans une logique juridique à la fois nationale et internationale.

Que seule la voie de la personnification juridique est à même d’apporter des solutions satisfaisantes et favorables à tous.

Que les réflexions concernant la biodiversité et l’avenir de la planète doivent intégrer les personnes physiques non-humaines.

Qu’ainsi sera souligné le lien avec la communauté des vivants qui peut et doit trouver une traduction juridique.

Qu’aux yeux du droit, la situation juridique de l’animal changera par son exhaussement au rang de sujet de droit.

FIN

* La Déclaration de Toulon a été proclamée officiellement le 29 mars 2019, lors de la séance solennelle du colloque sur La personnalité juridique de l’animal (II) qui s’est tenu à la Faculté de droit de l’Université de Toulon (France), par Louis Balmond, Caroline Regad et Cédric Riot.

English version

The Toulon Declaration *

PROCLAIMED on March 29, 2019 - TOULON - FRANCE

(The Toulon Declaration, which emerged from the trilogy of symposia on the legal personality of animals, is conceived as a response by legal scholars to the Cambridge Declaration of 7 July 2012).

PREAMBLE

We, legal scholars, having participated in the trilogy of symposia on the legal personality of animals organized at the University of Toulon.

Taking into consideration the research performed in other disciplinary fields, particularly by researchers in neuroscience.

Taking into account the Cambridge Declaration dated 7 July 2012 by which researchers came to the conclusion that "humans are not unique in possessing the neurological substrates that generate consciousness”, these traits being shared with "non-human animals".

Regretting that the law has not taken advantage of these advances to bring about fundamental changes in all legal corpuses relating to animals.

Noting that in most legal systems, animals are still considered as things and lack legal personality, which alone can grant them the rights they deserve as living beings.

Considering that today, the law can no longer ignore the advances in science that can improve the consideration of animals, knowledge that has hitherto been largely underused.

Finally, considering that the current incoherence of national and international legal systems cannot tolerate inaction and that it is important to initiate changes in order to take into account the sensitivity and intelligence of non-human animals.

**

Hereby declare that,

Animals must be universally considered as persons and not things.

It is urgent to put a definitive end to the reign of reification.

Current knowledge requires a new legal perspective with respect to animals.

Consequently, animals must be recognized as people in the legal sense of the term.

Thus, beyond the obligations imposed on human beings, animals shall be granted their own rights, enabling their interests to be taken into account.

Animals should be considered as non-human natural persons.

The rights of non-human natural persons shall be different from the rights of human natural persons.

Recognizing the legal personality of animals is an essential step towards the coherence of legal systems.

This movement is a part of not only a national, but international legal consensus.

Only the path of legal personification is capable of providing satisfactory and favourable solutions for all.

Reflection on biodiversity and the future of the planet must include non-human persons.

In this manner, the link with the community of living beings is underscored ; a legal interpretation can and must be established.

In the eyes of the law, the legal situation of animals will change by raising their status to that of a legal person.

END

* The Toulon Declaration was officially proclaimed on 29 March 2019, during the formal symposium on The Legal Personality of Animals (II) held at the Faculty of Law of the University of Toulon (France), by Louis Balmond, Caroline Regad and Cédric Riot.

Versão em português

Declaração de Toulon *

PROCLAMADA em 29 de março de 2019 – TOULON - FRANÇA
(originada da trilogia de seminários sobre a personalidade jurídica do animal, a Declaração de Toulon foi concebida como uma resposta de universitários juristas para a Declaração de Cambridge de 7 de julho de 2012).

PREÂMBULO

Nós, universitários juristas, participantes da trilogia de seminários organizada na Universidade de Toulon sobre o tema da personalidade jurídica do animal.

Considerando os trabalhos realizados em outros campos disciplinares de pesquisa científica, principalemente por pesquisadores en neurociências.

Tendo tomando ciência da Declaração de Cambridge de 7 de julho de 2012 por meio da qual estes pesquisadores vieram à conclusão de que “os humanos não são os únicos a possuir uma estrutura neurológica de consciência”, sendo esta compartilhada com os “animais não-humanos”.

Lamentando que o Direito não tenha levado em conta tais avanços científicos para fazer evoluir profundamente o conjunto das normas jurídicas que concerne os animais.

Constatando que na maioria dos sistemas jurídicos os animais ainda são considerados como coisas e não tem personalidade jurídica, e que não se lhes confere o direito que eles merecem por sua condição de ser vivo.

Estimando que nos dias de hoje, o Direito não pode mais ignorar o avanço científico capaz de melhorar a consideração pelos animais, e que tal conhecimento foi até aqui pouco aproveitado.

Considerando por fim que a incoerência e a inação atuais dos sistemas jurídicos nacionais e internacionais não pode perdurar, e que é preciso iniciar mudanças a fim que sejam tomadas medidas que levem em conta a sensibilidade e a inteligência dos animais não-humanos.

**

Declaramos,

Que, de uma maneira universal, os animais devem ser considerados tal como pessoas, e não coisas.

Que é urgente colocar um termo final e definitivo ao regime de reificação.

Que os conhecimentos atuais impõem um novo olhar jurídico sobre o animal.

Que, por consequência, a qualidade de pessoa no sentido jurídico deve ser reconhecida aos animais.

Que assim, além das obrigações impostas às pessoas humanas, os direitos próprios serão reconhecidos aos animais, sendo autorizada a consideração de seus interesses.

Que os animais devem ser considerados como pessoas físicas não-humanas.

Que os direitos das pessoas físicas não-humanas serão diferentes dos direitos das pessoas físicas humanas.

Que o reconheciemento da personalidade jurídica do animal se apresenta como uma etapa indispensável à coerência dos sistemas jurídicos.

Que tal dinâmica se inscreve em uma lógica jurídica tanto nacional quanto internacional.

Que apenas a via da personificação jurídica é capaz de trazer soluções satisfatórias e favoráveis a todos.

Que as reflexões que concernem a biodiversidade e o futuro do planeta devem integrar as pessoas físicas não-humanas.

Que assim sera marcada a união com a comunidade dos entes vivos que pode e deve encontrar uma tradução jurídica.

Que aos olhos do Direito, a situação jurídica do animal mudará pela sua elevação ao nível de sujeito de direito.

FIM

* A Declaração de Toulon foi proclamada oficialmente no dia 29 de março de 2019 durante a sessão solene do seminário sobre A personalidade juridique do animal (II) realizado na Faculdade de Direito da Universidade de Toulon (França) por Louis Balmond, Caroline Regad e Cédric Riot.

Versione italiana

PROCLAMATA il 29 marzo 2019 a TOLONE, FRANCIA
(La dichiarazione di Tolone, risultato della trilogia di convegni sulla personalità giuridica dell’animale, rappresenta la risposta, da parte di giuristi accademici, alla Dichiarazione di Cambridge del 7 luglio 2012).

PREAMBOLO

Noi, giuristi accademici che abbiamo preso parte alla trilogia di convegni organizzati all’Università di Tolone dedicati al tema della personalità giuridica dell’animale.

Considerando i lavori realizzati in altri ambiti disciplinari, in particolare nella ricerca in neuroscienze.

Vista la Dichiarazione di Cambridge del 7 luglio 2012 con la quale i ricercatori sono giunti alla conclusione che “gli esseri umani non sono i soli a possedere i substrati neurologici della coscienza”, dal momento che questi ultimi si rinvengono anche negli “animali non-umani”.

Esprimendo il nostro rammarico per il fatto che il diritto non si sia avvalso di questi sviluppi scientifici per attuare un’evoluzione profonda dell’intero corpus normativo in materia di animali.

Osservando che, nella maggior parte degli ordinamenti giuridici, gli animali sono ancora considerati alla stregua di oggetti e sono sprovvisti di personalità giuridica, condizione necessaria per il conferimento dei diritti che meritano in qualità di esseri viventi.

Ritenendo che oggi il diritto non può più ignorare i progressi scientifici che consentono di migliorare la considerazione degli animali, e che fino ad oggi sono stati scarsamente utilizzati.

Considerando, infine, che l’attuale incoerenza degli ordinamenti nazionali e internazionali non può tollerare l’inerzia e che è necessario dare inizio a dei cambiamenti affinché la sensibilità e l’intelligenza degli animali non-umani siano prese in considerazione.

**

Dichiariamo,

Che gli animali devono essere universalmente considerati alla stregua di persone e non di cose.

Che urge mettere fine al predominio della reificazione.

Che le attuali conoscenze di cui disponiamo impongono una nuova concezione giuridica dell’animale.

Che pertanto agli animali deve essere riconosciuta la qualità di persona, in senso giuridico.

Che in questo modo saranno riconosciuti agli animali, oltre agli obblighi gravanti sulle persone umane, dei diritti propri che permettano la presa in conto dei loro interessi.

Che gli animali devono essere considerati persone fisiche non-umane.

Che i diritti delle persone fisiche non-umane saranno differenti dai diritti delle persone fisiche umane.

Che il riconoscimento della personalità giuridica dell’animale costituisce una tappa indispensabile alla coerenza degli ordinamenti giuridici.

Che questa dinamica si colloca in una prospettiva giuridica sia nazionale che internazionale.

Che soltanto la via della personificazione giuridica permette di apportare delle soluzioni soddisfacenti e favorevoli a tutti.

Che le riflessioni sulla biodiversità e il futuro del pianeta devono includere le persone fisiche non-umane.

Che in questo modo potrà essere sottolineato il rapporto con la comunità degli esseri viventi che può e deve trovare una traduzione sul piano giuridico.

Che agli occhi del diritto, la situazione giuridica dell’animale muterà grazie al suo innalzamento al rango di soggetto di diritto.

FINE

La Dichiarazione di Tolone è stata proclamata ufficialmente il 29 marzo 2019, nella seduta solenne in occasione del convegno su “La personalità giuridica dell’animale (II)”, che si è tenuto alla Facoltà di giurisprudenza dell’Università di Tolone (Francia), organizzato da Louis Balmond, Caroline Regad e Cédric Riot.

Versión en español

Declaración de Toulon

APROBADA el 29 de marzo de 2019, en TOULON, FRANCIA
(Al finalizar el trío de coloquios sobre la personalidad jurídica de los animales, se preparó la Declaración de Toulon, como una respuesta de los universitarios del área del derecho a la Declaración de Cambridge del 7 de julio de 2012.)

PREÁMBULO

Nosotros, universitarios del área del derecho, quienes participamos en el trío de coloquios desarrollado en la Universidad de Toulon para abordar el tema de la personalidad jurídica de los animales.

Considerando las actividades desarrolladas hasta ahora por otras disciplinas, en especial por parte de los investigadores en neurociencia.

Conscientes de las disposiciones en la Declaración de Cambridge del 7 de julio de 2012, en la cual los investigadores concluyen que « los humanos no somos los únicos en poseer la base neurológica que da lugar a la consciencia », y que dicha base se comparte con los « animales no humanos ».
Lamentando que el derecho aún no se apropie de este desarrollo para lograr una evolución significativa del corpus jurídico relativo a los animales.

Observando que en la mayoría de los sistemas jurídicos, los animales todavía se consideran como cosas y carecen de personalidad jurídica, siendo esta la única forma posible de conferirles los derechos que merecen por su calidad de seres vivos.

Convencidos de que el derecho ya no puede seguir ignorando los avances de la ciencia que podrían mejorar la apreciación de los animales, y considerando que estos conocimientos han sido pobremente empleados hasta la fecha.

Considerando, finalmente, que la incoherencia que existe actualmente en los sistemas jurídicos nacionales e internacionales no puede justificar la falta de acción, y que es necesario activar cambios para que se tomen en cuenta la sensibilidad y la inteligencia de los animales no humanos.

**

Declaramos,

Que los animales deben considerarse universalmente como personas y no como cosas.

Que es urgente terminar de una vez por todas con el predominio de la cosificación.

Que el conocimiento actual demanda una perspectiva jurídica nueva respecto a los animales.

Que en consecuencia de lo anterior, debe reconocerse la condición de persona, en términos jurídicos, de los animales.

Que de esta forma, allende las obligaciones que se imponen a las personas humanas, se reconocerán derechos propios a los animales, lo que implica la consideración de sus intereses.

Que los animales deben considerarse personas físicas no humanas.

Que los derechos de las personas físicas no humanas serán considerados diferentes a los de las personas físicas humanas.

Que el reconocimiento de la personalidad jurídica de los animales es una etapa indispensable para alcanzar la coherencia del sistema de derecho.

Que esta dinámica se inscribe en una lógica jurídica que abarca tanto el plano nacional como el internacional.

Que la marcha hacia la personificación jurídica es la única vía capaz de aportar soluciones satisfactorias y favorables para todas las partes.

Que toda reflexión en torno a la biodiversidad y el futuro del planeta debe pasar por la integración de las personas físicas no humanas.

Que de esa forma se acentuará el vínculo existente con la comunidad de los seres vivos, el mismo que puede y debe materializarse en el derecho.

Que desde la perspectiva del derecho, la situación jurídica de los animales cambiará en la medida en que se los eleve al rango de sujetos de derecho.

FIN

* La Declaración de Toulon fue proclamada oficialmente el 29 de marzo de 2019, durante la sesión solemne del coloquio sobre La personalidad jurídica de los animales (II), realizado en la Facultad de Derecho de la Universidad de Toulon (Francia), con la participación de Louis Balmond, Caroline Regad y Cédric Riot.

Vidéo

Retrouvez la vidéo complète de la déclaration de Toulon sur la personnalité juridique des animaux, réalisée le vendredi 29 mars 2019 :